Meu “Grande Retorno”

(Continuação de “Minha ‘Grande Tristeza’ “)

Como contei, eu tenho um grande amigo o qual conheci no acampamento, que era monitor de outro quarto em 2003.

No final de 2008 ele teve depressão e eu estive por perto, acompanhando-o. Ele estava muito mal, mas já conhecia a doença por já ter tido pessoas próximas com a mesma doença. Lembro-me que ele apesar de estar triste e mal, ele lutava contra isso e continuava com sua vida, suportando a dor. Em 2009 ele já estava se tratando com psicoterapia e medicamento tarja preta e eu sabia.

Durante todo aquele meu sofrimento(enquanto o pensamento de suicídio ainda estava no princípio), consegui forças para ir encontrá-lo, pois desde antes ele era como um discipulador, um amigo que tinha muito conhecimento para compartilhar e na época era muito difícil de encontrá-lo.

Ele me conhecia bem e lhe contei tudo o que estava passando e ele me disse que talvez fosse depressão e que eu deveria ir a um psiquiatra para que fosse analisado.

Não tinha força para contar nada disso aos meus pais, pois nunca havia me aberto muito com eles, pensava que tinha para contar à minha irmã quando voltasse, mas mesmo quando voltou não consegui. Não conseguia pedir para que me levassem ao psiquitra nem ao psicólogo. Enquanto isso o tempo passava e só sentia dor e mais dor.

De alguma forma pela preocupação e apoio daquele meu grande amigo, de grandes amigos do colégio e da minha família, estava um pouco menos pior que na época do auge da dor e de pensamentos de suicídio.

Dizem que quando a pessoa resolve virar com o jogo da depressão que ele pode acabar se suicidando, talvez fosse isso?

Já era meio de junho, de repente meus pais vieram com uma oferta de eu ir encontrar um velho amigo dos meus pais e que conheço desde criança como um tio. Ele é psicólogo. Fiquei realmente grato com isso, mas ainda sim inseguro se aquilo funcionaria e se meus pais iam ficar sabendo de tudo. Vinha orando pedindo a Deus que eu pudesse melhorar e que pudesse ir a um psiquiatra ou psicólogo, mas eu nunca tive força nem ao menos de ir falar com meus pais, que ficavam tentando deduzir o que se passava comigo, já que eu nao abria a boca.

Acabei por aceitando, mas fiquei meio fechado nas primeiras consultas em julho, mas de de algum jeito, embora muito aos poucos, estava ficando menos pior. Por um pedido de uma amiga, acabei me inscrevendo para um Campanha, onde se evangelizava usando coreografias de danças, street e teatro, porém ela nem foi haha e eu acabei indo.

Minha expectativa era que iria ser uma decepção naquele meu estado. Porém apesar de tudo, acabou por ser muito bom, conseguir deixar um pouco de lado a depressão, as dores e as preocupações e seguir em frente durante os 10 dias.

Voltei da Campanha e as dores voltaram, porém eu sentia que estava melhorando. Continuei as consultas com o psicólogo e fui melhorando graduativamente. Janeiro desse ano(2010), senti que estava ainda uns 75% do que era antes da depressão, da época de janeiro de 2009, porém eu aprendi muito com tudo aquilo e com certeza cresci mais uns 25% além dos 100% de antes, o que daria 125%, porém ainda faltava os 25% de antes.

Hoje acho que eu estou uns 90%, porém cresci por volta de mais 35%. Apesar de toda aquela dor, de ter perdido quase todo o ano e muitas outras coisas, além de tudo aquilo ter causado uma enorme cicatriz na minha vida, não acho que foi totalmente ruim, afinal, cresci muito mais do que cresceria se isso não acontecesse. Perdi muito, mas ganhei muito em outras coisas.

A vida é uma guerra, mesmo que você perca a batalha, perca tudo, ainda sim pode vencer a guerra e ganhar muito mais depois.

Uma experiência inesquecível, a qual eu não entenderia se não passasse por ela. Tenho coisas ainda a retomar e preciso me esforçar, mas não daria tanto valor a algumas coisas se não os tivesse perdido.

Hoje estou feliz, muitas coisas vem se ajeitando mesmo que aos poucos. Posso ver a mão de Deus, o Pai em tudo. Ele permitiu aquilo acontecer, mesmo sabendo que eu sofreria, mas permitiu para meu crescimento, para eu parar de confiar apenas na minha força, para me preparar para o virá a acontecer. Estaria mentindo que quem crê em Deus tem uma vida sem nenhum problema. Mas posso confirmar que quem crê em Deus e vive uma vida dedicada a Ele, terá uma vida que, apesar de problemas e situações de grande tristeza, superará qualquer circunstância adversa e terá a verdadeira alegria.

Não tenho o poder para que as coisas aconteçam do meu jeito e não vou mais ficar me frustrando por causa disso. Não vou guardar todas as angústias e rancores em mim. Vou liberá-las, desabafar com amigos e perdoar as pessoas.

~ por walkingbytheway em março 16, 2010.

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